Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007

um aeroporto na planície

Quando ouvi a noticia pela primeira vez ainda pensei que a culpa fosse do regadio que o Alqueva agora permite - seria muito desagradável ver o milho, tão dourado e perfeito, desatar a rebentar como pipocas pela lentidão do escoamento naquele Alentejo tão quente e longínquo. Seria desagradável e poderia causar um certo alarme na população: Vêm aí os espanhóis, fujam!”. 

Afinal nada tem a ver com o regadio. No entanto, as notícias deste fim-de-semana não enganam: Beja vai mesmo ter um aeroporto (não confundir com aviões). O governo prometeu, está prometido, e as obras arrancam já no próximo mês, que se faz tarde. Ora vamos então inaugurar um aeroporto na planície. Vamos mostrar uma vez mais a nossa capacidade empreendedora. Junte-se a fanfarra que a inauguração está breve. É agora que o Alentejo avança. Se sequeiro falhou (ai Salazar!), Sines não chegou (ai Perroux!) e o Alqueva construiu-se porra (ao que parece, faltam ainda uns tubos), agora, para terminar, bonito, bonito era mesmo um aeroporto (caiado?).

E para quê este aeroporto? Melhor, para quem? Para Lisboa? - não parece, está a quase 200 km de distância. Para o Algarve? - nada disso, há Faro. Será então para a população de Beja, cidade que nem chega aos 25 mil habitantes?

Se nenhuma das questões anteriores o convenceu especialmente, pense então no turismo. Sim, nós temos o turismo, que precisa deste aeroporto, que precisa do turismo. Então porque não construir um aeroporto em Beja se há o turismo - não há razões para que não se faça. E esta ideia do aeroporto vem mesmo a calhar agora que por terras do Alqueva se encontrou uma praia paradisíaca ("com palmeiras e tudo", referiu entusiasmado o presidente da Junta da Luz), duas pirâmides do Egipto (em bom estado) e, para alegria do professor Hermano Saraiva (“eu já tinha alertado para esta possibilidade”, disse), os jardins suspensos da Babilónia afinal estão de boa saúde e são nossos.

Agora é só esperar pelos aviões na planície. Dia e noite, Verão e Inverno, centenas, milhares de aviões, aviões grandes e carregados de turistas, muitos turistas, avós, pais e filhos, de tudo e de todo o lado, mas tudo gente rica, não tesos e alcoólicos como os do Algarve, gente limpa, que toma dois banhos por dia, gente que vale a pena e que vai dar tanto dinheiro, tanto dinheiro à região que os alentejanos vão até poder trocar de carro a cada seis meses. Só espero que com tanto tráfego não surjam acidentes de maior. 

 

radiomafia às 21:10
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