De Rui Tavares a 16 de Julho de 2007 às 02:04
Vim hoje pela primeira vez ao seu blogue, onde cheguei via technorati. Se só hoje fiquei a saber da sua existência, é claro que não conhecia os posts que publicou sobre o Minoru Yamasaki logo quando o inaugurou. Sabe que os blogues quando começam não têm ainda muitos leitores.

Tive consciência da importância da história do Yamasaki em Agosto do ano passado, quando me leram uma passagem do Cidades do Amanhã, de Peter Hall, sobre Pruitt-Igoe. Fiquei empenhado em escrever qualquer coisa sobre o assunto, e isso ainda antes de pesquisar mais um pouco e descobrir que o arquitecto era o mesmo das Torres Gémeas (já ouvira falar do arquitecto delas, e já tinha apanhado as imagens da implosão de Pruitt-Igoe no Powaqqatsi de Godfrey Reggio, mas nunca ligara ambas as histórias).

Escrevi a minha crónica mensal para a Blitz (Agosto ou Setembro 2006) sobre o assunto. E ainda em Setembro e Outubro do mesmo ano escrevi a primeira versão da peça, que mandei para dois concursos (no primeiro ainda só com o Acto I). Deixei-a de lado muitos meses, e voltei a ela em Abril e Maio de 2007. Durante todo este tempo, perguntava-me várias vezes: "mas como é que mais ninguém se lembra disto"?

Como é evidente, há sempre mais alguém que se lembra. No caso, você, e até alguns meses antes de eu ter chegado à história. Mas também outras pessoas ligaram as duas implosões em artigos na imprensa, antes de nós ambos (estou a lembrar-me de uma biógrafa do Yamasaki que escreveu para a Slate, mas a que eu só cheguei no fim da minha peça). Enfim, nas minhas pesquisas no google nunca cheguei aos seus posts aqui neste blogue (também, há cerca de 175 000 links na internet para "Minoru Yamasaki"). E como é natural, a peça pode ir mais profundo e apresentar mais detalhes do que apenas a coincidência das duas implosões (o trabalho do Yamasaki na Arábia Saudita e o seu fascínio pela arquitectura islâmica, por exemplo, a sua biografia e a do seu antagonista, Moreland Griffith-Smith, entre vários outros exemplos) que não aparecem nos seus posts.

É pois, uma coincidência, embora não propriamente "astonishing". E, por falar nisso, o ano passado aconteceu-me a inversa: levei anos a sonhar escrever um livro sobre Mazagão (a cidade que foi transplantada de Marrocos para Amazónia) antes de conhecer um autor francês que tinha acabado de lançar um livro sobre o tema, mais ou menos no tom que eu escreveria. E, há mais anos ainda, decidi que faria uma biografia do José Agostinho Macedo, só que parece que o António Mega Ferreira já escreveu grande parte de um livro com a mesma ideia.

Quanto às expressões do crítico do Público, não sou responsável por elas, embora elas até me possam ser agradáveis. "O achado" não passa a ser meu, só pelo facto de ter escrito uma peça de teatro sobre o assunto.

Aceite os meus melhores cumprimentos e, uma vez que temos este interesse comum, espero que venha a ler a peça e que esta lhe agrade.
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